domingo, 8 de junho de 2008

A reconstrução da JOC capixaba

Temos informações precárias e poucos registros da história da JOC em solo capixaba antes de 64. É certo que houveram alguns grupos, mas que se desarticularam com o golpe militar.


Em 1975 tem início uma nova história da JOC capixaba com o processo de organização do movimento realizado por uma militante oriunda da JOC de Santos/SP. Parte desta história foi registrada na minha monografia de conclusão do curso de História.

Abaixo apresento, com algumas pequenas alterações e bem resumido, um fragmento que relata o processo de reorganização da JOC capixaba.

Em 1975, Mara, militante da JOC de Santos, interior de São Paulo, chega a Vitória com a missão de cumprir a decisão do 16º Conselho Nacional e reconstruir o movimento no Estado. Nesta empreitada ela conta com apoio de agentes pastorais da Arquidiocese de Vitória que a ajudaram ambientar-se.

O processo de extensão desenvolve-se. Já em fevereiro de 1976, dois militantes participam do segundo Encontro do Triângulo. A partir deste momento a JOC de Vitória sempre estará presente nos Encontros do Triângulo que aconteceram, bem como nos eventos nacionais.

No 19º Conselho Nacional, realizado em 1976, a militante, responsável pela extensão apresenta um relatório das suas atividades em Vitória: a JOC conta com um grupo de militantes em processo de iniciação ao movimento e a principal preocupação da extencionista é criar grupos específicos de ação para atuarem no comércio, bairro e fábrica, seguindo a orientação do Conselho Nacional que propõem a organização do movimento por setores onde atuam os militantes. [...]

A setorização do movimento de Vitória somente ocorrerá no início de 1978 quando os militantes que trabalhavam em fábrica passam a reunirem-se separados dos outros setores [...]

O processo de extensão segue o seu desenvolvimento. Em relatório do histórico do movimento produzido em 1977 pela equipe do triângulio é assim apresentado os resultados da extensão em Vitória: “em Vitória o movimento vem crescendo, atingindo jovens que trabalham, tanto no comércio, como nas fábricas.” [...]

Em 1978, acontece o 20º Conselho Nacional da JOC. Presente estava uma delegação da JOC de Vitória. Neste Conselho de faz uma avaliação do processo de extensão da JOC em Vitória. O tom da apresentação é de que a extensão foi positivo e o movimento em Vitória está consolidado com ações expressivas nas principais áreas de prioridades de atuação da JOC, mas fica a exigência de “atingir os setores prioritários: o porto e siderúrgicas, e se estender para as cidades prioritárias da Grande Vitória onde se concentra os metalúrgicos.”

No final do Conselho é realizada a eleição para compor a Coordenação Nacional da JOC. É eleita uma militante da JOC de Vitória, sinal que o processo de extensão podia abrir mão de uma militante que tinha capacidade e estava preparada para ocupar um espaço importante na estrutura do movimento sem prejudicar o trabalho que estava sendo desenvolvido.

A JOC estava organizada e consolidada em Vitória.

quarta-feira, 28 de maio de 2008

“TESTAMENTO ESPIRITUAL” de Dom ANTÔNIO FRAGOSO


O texto abaixo é obra do frei Gilvander Luís Moreira. É apenas uma parte do texto que pode ser apreciado integralmente na página http://www.igrejadocarmo.com.br/artigo025.htm. Destacamos o fragmento que relata a experiência de Dom Fragoso com a JOC.

"Logo após se tornar bispo emérito, Dom Antônio Fragoso entregou a mim, frei Gilvander Luís Moreira, por escrito, uma espécie de “Testamento Espiritual”, escrito por ele mesmo, em João Pessoa, dia 15 de setembro de 1998. Guardei-o como uma pérola preciosa, ciente de que um dia deveria partilhar com muita gente raios de luzes da ação profética e libertadora de um bispo que foi um irmão e companheiro do povo pobre de Crateús e do Nordeste, companheiro na tribulação, na realeza e na perseverança.
[...]
A JOC – Juventude Operária Católica - me abriu os olhos para a realidade do mundo dos pobres (que, depois, chamados de Empobrecidos e posteriormente, Excluídos).

A Teologia dos tempos de Seminário eu a levei a sério com a "paixão" dos tempos de juventude. Mas não consegui ILUMINAR minhas práticas e os "sinais dos tempos", pois ela, Era mais "doutrinária", dedutiva.

A metodologia Jocista - do VER, JULGAR e AGIR vem testada nas experiências dos Militantes e Assistentes da JOC, me ajudou a partir da "Realidade", perceber o seu "sentido e a presença do Reino sob sinais e a me confrontar com uma Prática Transformadora.

A notícia da minha escolha para o Episcopado me apanhou de surpresa. Convencido que a JOC era o meu futuro, apelei para o Papa. A nomeação enviada para mim, no início de dezembro de 1957, só foi publicada em março de 1957.

É voz corrente (quem sabe desses segredos, com segurança?) que Dom Hélder Câmara "sugeriu" à Nunciatura apostólica diversos nomes dos vindos da Ação Católica Especializada. Lembro-me de que, no Vaticano II, quando Mons. Joseph Cardajn foi escolhido Cardeal, nós, - um grupo de 18 -, os Assistentes da JOC lhe oferecemos um almoço afetuoso.

Bispo Auxiliar do Arcebispo D. José de Madeiras Delgado, tentei fazer UNIDADE com ele, mesmo se éramos diferentes, na nacionalidade e na visão da Igreja e do Mundo.

Ele me confiou o acompanhamento da Ação Católica Especializada (JOC, JEC, JAC, ACO) e da Pastoral Catequética. Com as bênçãos e o apoio aberto dele, foi possível promover, em 1958, 1959 e 1960, uma SEMANA CATEQUÉTICA mobilizadora, em cada uma das 60 paróquias da Arquidiocese.

É bom ter em vista que a Arquidiocese de São Luís, cobria, na época, as Paróquias das, posteriormente criadas, Dioceses da Viana, Bacobal, Coroatã e Brejo.
[...]"

segunda-feira, 26 de maio de 2008

"Estamos começando, apenas começando!"

Fará 41 anos, em 24 de julho, que padre Cardijn já não se encontra entre nós, ao lado do Pai cuida de todos que se compromete com o seu projeto de "salvar a juventude trabalhadora".

No leito, doente, num momento de reflexão sobre a missão de toda a sua vida, disse: "Estamos começando, apenas começando!"

A JOC após a sua caminhada no Brasil, depois das experiências vividas no século XX e primeiros anos do XXI. Está apenas começando.

A juventude trabalhadora continua sofrendo com escolas que não conseguem desempenha o papel de educar, com a promessa do primeiro emprego que está cada vez mais distante, com desemprego que atinge primeiro a juventude trabalhadora, com a violência que ataca ferozmente os mais jovens, com a falta de políticas públicas que atendam os anseios da juventude, com a falta de valores morais e religiosos que sirvam de base para uma vida digna e decente. A tarefa de "salvar a juventude trabalhadora" continua tão urgente quando do início da JOC.

Essa missão é de todos nós que conheceu a proposta de Cardijn, e se comprometeu. Seja antigo ou atual militante. O principal instrumento é a JOC.

O padre Cardijn ofertou a sua vida a construção do movimento jocista. Mas estamos apenas começando!

sábado, 24 de maio de 2008

Vamos comemorar!

No ano de 2008 a JOC Brasileira comemora 60 anos da Primeira Semana Nacional de Estudos, de oficialização como movimento nacional da Juventude Trabalhadora e como ramo especializado da Ação Católica Brasileira (ACB) para a Juventude Operária. Juntaram-se á JOC como ramos especializados da ACB para a juventude a JAC (Juventude Agrária Católica), JEC (Juventude Estudantil Católica), JIC (Juventude Independente Católica) e JUC (Juventude Operária Católica).

Mas outras datas importantes para a nossa história devem ser lembradas para se fazer justiça e contemplar outras experiência vividas pelos militantes da JOC nas diversas épocas.

Registra-se em 1933 o surgimentos dos primeiros grupos de JOC nos principais centros industriais do Brasil: Rio Grande do Sul, Rio de Janeiro e São Paulo.
Em 1938 é criado o Secretaria Nacional da JOC para promover a difusão do movimento pelo território nacional.

Então podemos dizer que além dos 60 anos, deveríamos comemorarmos os 75 das primeiras experiências da JOC no Brasil e 70 anos de criação do Secretariado Nacional.

Temos muito o que comemorar!